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Avaliação das emissões reais dos veículos em São Paulo

Em sua primeira campanha de sensoriamento remoto no Brasil, a iniciativa The Real Urban Emissions (TRUE) realizou mais de 320 mil medições em toda a Região Metropolitana de São Paulo para promover um panorama abrangente sobre as emissões reais de poluentes.  

Realizado em parceria com a agência ambiental do Estado de São Paulo (CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o estudo apresenta as seguintes conclusões:  

Entre os veículos de passeio, os certificados na fase L3 do PROCONVE apresentaram as maiores emissões em condições reais de uso, ultrapassando os limites em até duas vezes para NOx, quatro vezes para CO e 19 vezes para HC. Esses veículos também tiveram a maior participação nas emissões evaporativas detectáveis, um importante precursor do O3. Embora representem apenas 5,5% da amostra da frota, a substituição desses modelos teria um impacto expressivo na redução de emissões. 

Os caminhões certificados segundo a fase P8, a mais recente do PROCONVE, apresentaram emissões reais mais de três vezes acima do limite de NOx e quatro vezes acima do limite de MP (material particulado). Com base nos exemplos de padrões de emissões europeus (Euro), exigir testes de conformidade em serviço para limites de potência mais baixos e partidas a frio reduziria as emissões em ambientes urbanos.       

Táxis e veículos de transporte por aplicativo flex emitiram o dobro de NOx, CO e HC em comparação aos carros particulares. A inspeção obrigatória desses veículos pode ajudar a identificar as causas da deterioração acelerada e, paralelamente, uma transição mais rápida para veículos elétricos teria um impacto significativo na redução das emissões. 

Os veículos urbanos de carga (VUCs), em sua maioria certificados pelo padrão P7 e muito usados para entregas de curtas distâncias, apresentaram emissões mais de duas vezes acima dos limites do PROCONVE. A eletrificação desse grupo de veículos, aliada a incentivos de compra ou isenção de impostos e, eventualmente, à restrição de caminhões a diesel nas áreas urbanas, reduziria substancialmente a exposição da população a altos níveis de emissões veiculares e aos impactos negativos para a saúde. 

Figura 4. Emissões médias de NOx, CO, HC e NH3 de carros de passeio por distância percorrida. As hastes representam o intervalo de confiança de 95% da média.
No contexto regulatório atual, os proprietários de automóveis no Brasil não têm incentivos para substituir veículos antigos e são pouco estimulados a adquirir veículos elétricos a bateria (BEVs). O Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), lançado em 2024, oferece a mesma redução de impostos para veículos híbridos plug-in e BEVs.

Políticas públicas orientadas para o futuro deveriam incentivar a substituição de veículos antigos com motor a combustão por veículos totalmente elétricos, em vez de híbridos. Medidas como esta, ao mesmo tempo em que estimulam a expansão do mercado nacional de veículos elétricos, trazem benefícios adicionais, como a geração de empregos e o fortalecimento da cadeia produtiva local.

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